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Reis

D. Manuel I

Nascido em 1469, era o nono filho dos Infantes D. Fernando e D. Beatriz, neto paterno do rei D. Duarte e materno do Infante D. João e bisneto de D. João I por ambas as linhas. D. Manuel I ascenderia ao trono em aclamação realizada a 27 de Outubro de 1495, por nomeação testamentária de seu cunhado, o rei D. João II, após a morte do herdeiro D. Afonso. D. Manuel I vai prosseguir a política de tentativa de unificação ibérica, iniciada por D. Afonso V, através de matrimónios sucessivos com as filhas dos Reis Católicos (D. Isabel e D. Maria) e com D. Leonor irmã de Carlos V. Ligado a este projecto, e igualmente direccionado para a consolidação do absolutismo político, D. Manuel I determina, por decreto de Dezembro de 1496, a expulsão dos Judeus e Mouros que, num prazo de dez meses, não se convertessem. Visava, porém, a sua permanência no país no quadro de uma política integracionista pacífica tentada ao longo do seu reinado. Em paralelo, empreenderia uma vasta reformulação jurídico-administrativa, educativa e económica, transformando a expansão portuguesa numa vasta empresa controlada pelo poder central. O seu reinado ficará marcado pela viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1498, pela descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral, em 1500 e pela progressão territorial em Marrocos (Safim, Azamor,Tite e Almedina). D. Manuel I vem a falecer em 1521.

Foi D. Manuel I o fundador do Mosteiro dos Jerónimos, tendo sido sepultado na capela-mor da igreja juntamente com a sua segunda mulher a rainha D. Maria.

Fonte: Maria de Fátima Coelho, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1990~

D. João III

D. João III nasceu em Lisboa em 1502 e morreu em 1557. Era filho de D. Manuel I e da sua segunda esposa, D. Maria, filha dos Reis Católicos. Foi para saudar o seu nascimento que Gil Vicente representou, na câmara da rainha, o Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro, inaugurando, deste modo, o teatro português. D. João III subiu ao trono em 1521 e, em 1525, casou com D. Catarina de Áustria. Durante o seu reinado, de mais de três décadas, presidiu aos destinos de um país no apogeu da sua expansão ultramarina por três continentes, mas que anunciava já o início da sua decadência, a qual se sentirá, sobretudo, no final do reinado. D. João III consolidou as posições portuguesas na Índia, assegurou o monopólio das especiarias ao resgatar (em consequência da viagem de Fernão de Magalhães) as Molucas por 350 mil ducados de ouro e estabeleceu contactos com a China e o Japão. Preferiu abandonar as praças marroquinas de Safim, Azamor, Alcácer Ceguer e Arzila para que Portugal pudesse elevar ao máximo o comércio da Índia e iniciar o aproveitamento das potencialidades do Brasil. Expandiu o comércio português, alargando os contactos directos às regiões renanas e aos países do Báltico. Introduziu a Companhia de Jesus, à qual confiou a evangelização do Oriente (com S. Francisco Xavier), do Brasil (com Manuel da Nóbrega) e da África (na Etiópia) e a quem entregou o Colégio das Artes de Coimbra. Promoveu a cultura através da concessão de bolsas de estudo no estrangeiro, da fundação do Colégio das Artes, da instalação e revitalização da Universidade de Coimbra, e do auxílio à fundação de colégios pelos Jesuítas. A fase final do seu reinado ficará marcada pelo início das dificuldades económico-financeiras, e por uma influência progressivamente acentuada do espírito da Contra-Reforma, emanado de Trento, que se traduziu, nomeadamente, no alargamento das competências da Inquisição e na institucionalização da censura às obras impressas.

Durante o seu reinado realizam-se importantes obras no Mosteiro dos Jerónimos como o cerramento da abóbada do cruzeiro, o coro-alto com respectivo cadeiral, o subcoro, a finalização do piso superior do claustro e do dormitório.

Fonte: Dicionário de História de Portugal, Direcção Joel Serrão, Livraria Figueirinhas/Porto, 1990

D. Catarina de Áustria

D. Catarina de Áustria era neta dos Reis Católicos, filha de Filipe o Formoso e de Joana a Louca, e irmã de Carlos V. Nasceu em Torquemada em 1507. Casou com D. João III, em 1525, de quem teve nove filhos. Infelizmente nenhum sobreviveu aos pais. Foi uma rainha influente e enérgica, com grande influência sobre o rei e, por decisão deste, participava nos conselhos de Estado. Em 1557, com a morte do marido, ficou encarregue da regência do reino e da educação do seu neto, D. Sebastião, então com três anos. Em 1562 escusou-se da regência, entregando a governação a D. Henrique. Durante a sua regência, D. Catarina promoveu a reforma das Ordens Religiosas e apoiou obras sociais, como o Colégio dos Meninos Órfãos de Alfama e as Mercearias de Belém; fundou o Colégio de Teologia Pastoral de Nossa Senhora da Escada, no Convento de S. Domingos; construiu o Mosteiro hieronimita de Vale Benfeito, o Convento de Pedrógão e o de S. Francisco, em Faro; protegeu as missões do Oriente e do Brasil e defendeu tenazmente o império ultramarino, através de acertadas escolhas dos seus governantes. Devido a grandes atritos com D. Sebastião, acabou por recluir-se no Paço de Xabregas onde faleceu em 1578.

Durante a sua regência ela promove importantes obras no Mosteiro dos Jerónimos como a construção da Capela-mor e arranjo das capelas laterais com respectivos túmulos. Oferece também ao mosteiro uma grande colecção de paramentos desenhados por Francisco de Holanda e bordados pela própria rainha e suas damas, relicários, imagens de devoção e peças de ourivesaria.

Fonte: Dicionário de História de Portugal, Direcção Joel Serrão, Livraria Figueirinhas/Porto, 1990

Cardeal D. Henrique

O Cardeal-Rei D. Henrique é filho de D. Manuel I e da rainha D. Maria de Castela. Nasceu em Lisboa em 1512 e veio a falecer em Almeirim em 1580, tendo sido o décimo sétimo rei de Portugal e o último da Casa de Avis. Iniciou carreira eclesiástica aos catorze anos, quando recebeu ordens menores. Como homem da Igreja, ocupou diversos altos cargos. Foi, entre outros, inquisidor- geral do Tribunal da Inquisição (nomeado em 1539 por D. João III) e arcebispo de Lisboa de 1564 a 1574. Manteve-se, ao longo da vida, um religioso austero, obstinado na luta contra a heresia e com uma visão assaz conservadora dos ideais da igreja católica. Contudo, a sua presença em Évora (1540-1562) assinalou-se pela criação de uma pequena corte de letrados, músicos, cantores e charameleiros que faziam parte da sua casa episcopal e que eram pagos com rendimentos da sua fazenda. A protecção que então dispensou à cultura permite considerá-lo como um príncipe de ideal renascentista, mecenas no trato e sonhando fazer de Évora um burgo de arte. Deve-se-lhe, ainda, a criação da Universidade de Évora. Na regência de 1562 a 1568, proporcionou a mais completa formação de príncipe ao sobrinho, D. Sebastião, contrariando a política castelhanizante de D. Catarina de Áustria. Encontrava-se em Alcobaça quando se deu o desastre de Alcácer-Quibir. Enquanto se não obtinham notícias concretas sobre a morte de D. Sebastião, assumiu a regência. Subiu ao trono em 1578 e o seu reinado ocupou-se, sobretudo, de dois problemas: resgatar os cativos no norte de África e a assegurar a sucessão. Fracassou em ambos e o povo viu, no seu ano e meio de reinado, o eclipse da “lusitana antiga liberdade”.

É no reinado do Cardeal D. Henrique que é feito o arranjo do interior do claustro.

Fonte: Dicionário de História de Portugal, Direcção Joel Serrão, Livraria Figueirinhas/Porto, 1990

D. Sebastião

Décimo sexto rei de Portugal, D. Sebastião nasceu em Lisboa, em 1554, e morreu, em 1578, no campo de batalha de Alcácer-Quibir. Neto de D. João III, é filho póstumo do príncipe D. João. Sua mãe foi a princesa Joana, filha de Carlos V, a qual deixou Portugal, e o filho de quatro meses, ficando então entregue à tutoria da avó, regente do reino, D. Catarina de Áustria. D. Sebastião teve como professores os maiores mestres e cientistas da corte. Em 1562, a formação do príncipe passou a ser da responsabilidade do tio, o Cardeal D. Henrique, até 1568, data da sua coroação. Em 1574 permaneceu um mês nas praças marroquinas de Tânger e Ceuta, onde tomou contacto com a realidade do poder português na região e concebeu a possibilidade de o ampliar, no que viria a encontrar vigorosas resistências, entre outros motivos, por ser mancebo e não possuir ainda descendência. Para o facto de não ter casado contribuiu, sobretudo, a actuação de Filipe, que se opunha ao casamento do sobrinho fora do quadro ibérico. Mas não deixava de ser premente a necessidade de aumentar a segurança das praças portuguesas em Marrocos e libertar o Algarve das investidas dos piratas berberes. A sua intervenção nesse sentido pareceu-lhe indispensável quando, em face das discussões internas do Magrebe, esteve iminente a intervenção turca. Só que a empresa ia muito além das disponibilidades da nação e foi deficientemente preparada e conduzida, vindo o monarca a ser vencido e morto na batalha de Alcácer Quibir. Esperado com ansiedade e júbilo, pois a coroa corria o perigo de ser herdada por um príncipe espanhol, recebeu ao nascer o cognome de O Desejado, que continuou a manter depois de morto, uma vez que muitos eram os portugueses que ansiavam pelo seu regresso a fim de restabelecer a Coroa portuguesa legítima, expulsando os Filipes do trono português. Só com D. João IV, em 1640, Portugal viria a recuperar a sua independência.

O seu túmulo encontra-se numa das capelas laterais da igreja do Mosteiro dos Jerónimos.

Fonte: Dicionário de História de Portugal, Direcção Joel Serrão, Livraria Figueirinhas/Porto, 1990

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