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Arquitectos

Diogo de Boitaca (c.1460 –1528)

Trabalhou em Portugal nos finais do séc. XV, princípios de XVI, sendo a sua primeira obra documentada o Convento de Jesus em Setúbal (1490). Era genro do mais importante arquitecto do seu tempo e mestre das obras da Batalha - Mateus Fernandes. Fez vários trabalhos em diversas zonas do país e Norte de África.Em 1498-1500 executou os planos para a construção do Mosteiro dos Jerónimos, projecto muito ambicioso mas que ficou incompleto: o pergaminho com a traça original do Mosteiro, que ainda se conservava na livraria do Mosteiro no séc. XIX, mostrava uma área quatro vezes maior que a actual, com quatro claustros diferentes. Em 1516 trabalhou no Mosteiro da Batalha, onde permaneceu até 1528, ano provável da sua morte.

A empreitada no Mosteiro dos Jerónimos: Iniciada em 1501 ou 1502 com o lançamento dos alicerces e tendo sofrido um grande impulso a partir de 1513, a primeira empreitada dirigida pelo mestre-de-obras Diogo de Boitaca vai-se prolongar até 1517, altura em que por vontade do rei D. Manuel I se dá uma mudança na orientação do estaleiro. São atribuíveis a esta empreitada o plano geral do edifício, os alçados e diversos trabalhos. Contam-se, entre estes, a execução do extenso corpo do dormitório e das arcadas da galilé que se estendiam por debaixo dele. Foi construída a capela-mor original e feita a elevação das paredes do corpo da igreja bem como a construção das janelas e dos suportes da abóbada. Por volta de 1517, as capelas do transepto, a norte e a sul, com as suas abóbadas quadradas de nervuras rectas, encontravam-se presumivelmente executadas. As colunas da nave deveriam encontrar-se já então fabricadas no seu miolo e levantadas até ao nível das nascentes das nervuras. O claustro, no piso térreo, estaria parcialmente executado e abobadado.

João de Castilho (1490 -1581)

Nos primeiros anos do séc. XVI veio de Espanha para Portugal, fixando-se em Viseu onde trabalhou no coro da Sé. Em 1516 trabalha no Mosteiro dos Jerónimos sob as ordens de Diogo de Boitaca, substituindo-o como mestre-de-obras em 1517. Foi um dos precursores do estilo renascentista em Portugal e sobre as bases de Boitaca soube encontrar soluções inovadoras para o Mosteiro. Já no reinado de D. João III e mestre das obras reais em Belém, tinha casas de residência num terreno ao lado do Mosteiro. Em 1530, D. João III já convertido à estética do Renascimento, acaba por desviá-lo para outras obras de sua iniciativa, sobretudo o Convento de Cristo, em Tomar. Em 1542 é enviado para África, devido à sua especialização em arquitectura militar, onde constrói várias fortificações. Regressa a Tomar, onde vem a falecer em 1581.

A empreitada no Mosteiro dos Jerónimos: Em Abril de 1516, assiste-se à entrada em funções de João de Castilho que, a par de Boitaca, aí ficará até assumir, em 2 de Janeiro de 1517, a plena direcção do estaleiro. Sob a sua coordenação são, desdobradas as empreitadas em sete áreas diferentes: Portal sul – a construção deste portal deve-se a João de Castilho e trinta oficiais de origem, francesa, flamenga, espanhola e portuguesa. Sala do Capítulo – é entregue a dois mestres espanhóis: Pêro Guterres, com vinte e sete operários para o aparelhamento; e Rodrigo de Pontezila, com quatro lavrantes para o portal da sala. Sacristia – a execução deve-se a Fernando de la Fremosa, com dez operários. Claustro – o português Filipe Henriques, vai juntar-se aos espanhóis Francisco de Benavente e Pêro de Trillo, à frente de cerca de 140 operários, na conclusão do piso térreo e na construção do piso superior. Refeitório – Leonardo Vaz, com quinze operários, vai construir este espaço. Portal axial – esta empreitada é da responsabilidade do mestre Nicolau Chanterêne, que tem à sua ordem onze oficiais de origem francesa como ele. Três capelas do coro – esta obra é coordenada pelos portugueses João Gonçalves e Rodrigo Afonso, tendo cada um sob suas alçadas dez homens. Assim, as campanhas coordenadas por Castilho vão desenvolver um apreciável esforço no trabalho com o remate do piso térreo do claustro e início da construção do segundo piso (que se torna, assim, o primeiro claustro abobadado de dois pisos) bem como a execução do portal sul, sacristia, refeitório, parte das paredes e portal da sala do capítulo. Coube-lhe, ainda, a complicada tarefa da construção da cobertura da nave e do cruzeiro, trabalho de grande perícia terminado em 1522 e que dá conta da sua especialidade na técnica do abobadamento. Mas a marca de João de Castilho vai mais além dos aspectos estruturais, dando uma nova “roupagem” ao edifício. Da ornamentação da empreitada de Boitaca, marcada pelo gótico tardio; abre-se caminho ao classicismo através da decoração ao estilo plateresco espanhol.

Diogo de Torralva

Provavelmente de origem espanhola, era cavaleiro da Casa Real. Em 1531 constrói a capela-mor da Igreja de Góis e, em 1537, a Igreja da Graça, em Évora. Em 1545 era já mestre-de-obras de D. João III e, em 1548, mestre-de-obras da Comarca do Alentejo e Paços de Évora, sendo nomeado medidor de todas as obras. Executa a construção do claustro do Convento da Madre de Deus e, em 1557, torna-se mestre-de-obras do Convento de Cristo, em Tomar, sendo encarregado pela rainha D. Catarina de remodelar o claustro principal, que tinha sido desenhado por João de Castilho. Em Tomar constrói ainda a Ermida da Conceição, considerada um dos mais notáveis exemplares do classicismo em Portugal. Em 1563 é chamado por D. Catarina para intervir no Mosteiro dos Jerónimos.

A empreitada no Mosteiro dos Jerónimos: Em 1530, D. João III vai afastar João de Castilho do estaleiro de Belém, dando-lhe a direcção de um novo e importante estaleiro no Convento de Cristo em Tomar. Entra em funções então, em 1540, Diogo de Torralva que se vai manter como mestre-de-obras até 1551. A ele se ficam a dever as diversas obras de remate das construções anteriores, tais como o fecho do primeiro piso do claustro, nas alas norte e poente, e a platibanda de cariz classicista. Sob a sua direcção, é construída uma nova portaria, depois substituída no séc. XVII, e é projectado o cadeiral do Coro-alto o qual é executado por Diogo de Çarça. A Torralva se deve, também, o arranjo da capela-mor de modo a receber os restos mortais de D. Manuel I.

Jerónimo de Ruão (1530- 1601)

Nasce em 1530, em Coimbra, e morre em Lisboa, em 1601. Arquitecto classicista do Renascimento, era filho do famoso escultor de Coimbra, João de Ruão. A partir de 1563 foi mestre-de-obras no Mosteiro dos Jerónimos (trabalhando nele até morrer), sendo o responsável pela conclusão do Mosteiro. Deve-se-lhe a actual capela-mor e o arranjo interno do transepto, concluído postumamente segundo o seu desenho (Rafael Moreira). Com Ruão cessa o crescimento do complexo monástico, numa época de recursos já escassos, pois o rei D. Sebastião restringira as despesas da fazenda régia à construção de fortalezas. É ainda de sua autoria a Igreja da Luz (1575) em Carnide, Lisboa, sob encomenda da Infanta D. Maria filha de D. Manuel I e D. Leonor.

A empreitada no Mosteiro dos Jerónimos: É a Jerónimo de Ruão que se deve a conclusão do edifício. Este arquitecto torna-se mestre-de-obras do Mosteiro dos Jerónimos, em 1563, tendo desenvolvido diversos trabalhos até à sua morte em 1601 (sendo sepultado no claustro). A nova capela-mor deve-se a ele, encomendada em 1563 pela rainha D. Catarina. A capela-mor iniciada em 1565, e terminada em 1572, é uma obra de cariz maneirista que vai contrastar, propositadamente, com o resto do edifício. São de sua autoria o jardim do claustro principal, a varanda com fonte na extremidade do dormitório, o pátio à esquerda da portaria e as galerias do pequeno claustro jónico, tudo desaparecido no séc. XIX.

Bibl.: Paulo Pereira, Mosteiro dos Jerónimos, Publicações Scala, 2002

 

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