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Artistas

Nicolau de Chanterene

Escultor francês que trabalhou em Portugal de 1517 a 1551 data provável da sua morte. Introduziu  no nosso país o Renascimento de influência italiana e, duas décadas depois, o classicismo. Supõe-se que terá nascido na Lorena, França (c. 1470) e que terá passado por Itália antes (ou depois) de trabalhar em Santiago de Compostela onde está documentado em 1511. A primeira referência documental de Mestre Nicolau em Portugal data de 1517, como responsável pela empreitada da porta axial do Mosteiro de Santa Maria de Belém. Trabalhou em Coimbra na Igreja de Santa Cruz, a mando de D. Manuel I, concebendo os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I. Deixou-nos também um magnífico púlpito e uma série de quatro baixos-relevos (dos quais hoje, apenas, existem três) relativos à Paixão de Cristo. Em Tentúgal, no mosteiro hieronimita de São Marcos, Nicolau Chanterene lavrou um retábulo com a Lamentação de Cristo ao centro, ladeado pelas figuras dos doadores e em baixo contam-se, em vários nichos, episódios da vida de São Jerónimo. Regressado de uma viagem a Saragoça (1527-1528), voltou a trabalhar para a Ordem de São Jerónimo em 1528 para a construção de um retábulo de alabastro para a igreja conventual da Pena, em Sintra, e que hoje faz parte do Palácio Nacional da Pena. Esta magistral obra só foi terminada em 1534, tendo sido dedicada ao Infante D. Manuel, filho de D. João III e de D. Catarina de Áustria. Em 1533 partiu para Évora, onde tem das suas mais notáveis obras, tais como o túmulo de D. Francisco de Melo, no Convento dos Lóios, e as tribunas da Igreja de S. Francisco.

Filipe Brias

Considerado, pelo historiador Rafael Moreira, como um escultor de origem flamenga do séc. XVI, novos dados foram recentemente apresentados pelo historiador Pedro Flôr que tem por base processos da inquisição os quais vêm lançar alguma luz sobre a sua biografia. Sabe-se que, em depoimentos dos anos 50 e 60 do séc. XVI prestados à inquisição por alguns mestres carpinteiros de marcenaria, Filipe Brias é apresentado como um escultor francês que contactava com a elite de corte, tendo trabalhado em Lisboa e em Tomar. Em Abril de 1558 parte para a Índia acompanhando o Vice Rei D. Constantino de Bragança.

É de sua autoria a escultura de Cristo na Cruz (1551) encomendada pelo infante D. Luís (filho de D. Manuel I) para o Mosteiro dos Jerónimos.

Lourenço de Salzedo

Artista espanhol, nascido cerca de 1535, que estagiou em Sevilha onde foi discípulo de Luís de Vargas (ele mesmo um sequaz de Pierino del Vaga em Roma), e que foi muito influenciado pela bella maniera romanista de Miguel Ângelo, Jacopino del Conte e Francesco Salviati, entre outros. Chamado a Lisboa por D. Catarina de Áustria, cerca de 1564, vem ocupar o posto de pintor privativo da sua casa, e instalou-se em casas nobres no bairro de Santos-o-Velho, onde já se encontra em 1570. Aí viverá, depois de ter constituído família: terá 4 filhos de Ana de Salazar, um deles nascido já em 1578, após a morte prematura do artista. Além de ter ganho o processo de candidatura ao retábulo da capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos face a nomes importantes como o português Campelo, o flamengo Franz Floriz e o genovês Francesco de Urbino, o pintor produziu retábulos para o mosteiro jerónimo de Vale Benfeito, para a matriz de Loures e para a Sé de Évora (de que restam algumas peças, bem identificáveis por razões de estilo), bem como perdidas decorações murais do Hospital de Todos-os-Santos, além de haver pintado retratos de D. Catarina e de D. João III, com os respectivos patronos.

Victor Serrão, Capela-Mor do Mosteiro dos Jerónimos, Restauro, IPPAR, Lisboa 1999

Simão Rodrigues

Simão Rodrigues (c.1560-1629) é um genuíno representante das tendências da contra-maniera reformada e autor de vasta obra. Nasceu na vila de Alcácer do Sal, cerca de 1560, surge radicado em Lisboa em 1583, com oficina aberta na rua dos Vinagreiros. À volta de 1595, a mando dos Figueiredos Pimentéis, pintou o retábulo-mor da igreja do Convento de S. Domingos de Elvas. Por esta altura pinta também a Árvore de Jessé, na Igreja Matriz da Azambuja e colabora, com Fernão Gomes, no retábulo - mor da Sé de Portalegre. Em 1597 pinta o retábulo-mor do Colégio do Carmo, em Coimbra, considerado um dos melhores conjuntos retabulares do maneirismo português. Mais tarde, juntamente com Domingos Vieira Serrão, realiza uma série de obras nesta cidade para a sacristia da Sé Velha, para a igreja do Mosteiro de Santa Cruz e para a capela da Universidade de Coimbra. Entre 1600 e 1610, pinta a série dedicada à vida de S. Jerónimo para a sacristia do Mosteiro dos Jerónimos. Em Outubro de 1602, foi um dos nove fundadores da Irmandade de S. Lucas, a confraria dos pintores de Lisboa, da qual será o primeiro juiz, sinal da consideração de que gozava. É aceite, também, como irmão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Bibl.: Paulo Pereira (Dir.) - História da Arte Portuguesa, Lisboa, Circulo de Leitores, Volume II

Avelar Rebelo

José de Avelar Rebelo nasceu em Lisboa, por volta de 1600-1610, e deve ter exercido a sua actividade, numa primeira fase, nos círculos do duque D. João IV, no Paço Ducal de Vila Viçosa. Aí pintou a “fresco” os tectos da sala do Cântico dos Cânticos e das Delícias da Música. Avelar Rebelo gozou do mecenato ducal para empreender uma viagem de estágio a Madrid e trabalhou nas obras palacianas aquando do casamento do duque, com D. Luísa de Gusmão, em 1633. Desde 1637 que o pintor se encontra regularmente documentado em Lisboa, com a sua mulher D. Joana de Andrade, em casas na rua dos Almocreves (aos Anjos) e na Cruz de Pedra (S. Domingos de Benfica). Fervoroso adepto do movimento restauracionista, impor-se-á em definitivo com o triunfo da revolução do 1º de Dezembro sendo designado pintor régio da corte de D. João IV e mestre de pintura do príncipe D. Teodósio (1635-1653). Artista favorito da melhor clientela do Reino, desde as irmandades nobres aos círculos da corte, em 1644 é votado pelos pintores lisboetas para juiz da Irmandade de S. Lucas (confraria dos pintores de Lisboa) e é honrado com o título de nobilitação do Hábito da Ordem de Avis.

Entre 1640 e 1645 pinta para a Livraria do Mosteiro dos Jerónimos a tela a óleo São Jerónimo Doutor, que actualmente pode ser vista no Refeitório.

Bibl.: Paulo Pereira (Dir.) - História da Arte Portuguesa, Lisboa, Circulo de Leitores, Volume II

Costa Mota

António Augusto da Costa Mota (1862-1930) usualmente conhecido como Costa Mota (Tio), para o distinguir do seu sobrinho e homónimo, também escultor, foi um artista de grande nomeada do final do século XIX e princípio, do século XX, cuja obra é, sobretudo, constituída por monumentos, estátuas e bustos. Tendo nascido em Coimbra, em 1862, iniciou os estudos artísticos nas aulas de Desenho e Escultura Decorativa, da Associação dos Artistas e, posteriormente, na Escola Livre das Artes do Desenho, sob orientação de António Augusto Gonçalves. Transferiu-se para a Escola de Belas Artes de Lisboa, onde ficou amigo de Vitor Bastos e de Simões Almeida, de quem se tornou discípulo. Após a conclusão do curso, em 1891, participou nos Salões do Grémio Artístico, em que se consagrou pelas críticas e elogios recebidos. Várias vezes medalhado e premiado, ao longo do curso, viveu uma carreira artística brilhante. Expôs com regularidade na Sociedade Nacional de Belas-Artes e a qualidade manifestada nas suas obras conferiu-lhe o título de grande mestre estatuário português. Viveu essencialmente da encomenda pública, através de concursos que vai vencendo e terá sido dos primeiros escultores a depender exclusivamente da sua arte. É importante sublinhar as suas opções compositivas reveladoras não só do seu pensamento como do próprio percurso da escultura oitocentista.Morreu a 26 de Março de 1930.

Em 1894 realiza para o Mosteiro dos Jerónimos os túmulos de Vasco da Gama e de Luís Vaz de Camões.

Abel Manta

Abel Manta nasceu em Gouveia a 12 de Outubro de 1888. Entre 1904 e 1916 frequentou a escola de Belas Artes onde concluiu o curso de pintura, tendo recebido o terceiro prémio da Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1919 partiu para Paris onde, entre outras galerias, expôs no "Salon de la Societé Nationale" tendo frequentado, ainda, o curso de gravura na casa Schlumberger. Realizou algumas viagens de estudo pela Europa. Em 1926 regressou a Portugal e entrou no ensino Técnico, como professor de desenho na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Casou em 1927 com a pintora Clementina Carneiro de Moura. Deste casamento nasceu um filho, o arquitecto, pintor, designer e cartoonista João Abel Manta. Em 1935 participou no primeiro Salão de Arte Moderna, em Lisboa. Abel Manta esteve presente nas mais importantes exposições colectivas do país, entre as quais a I e II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, onde lhe foi conferido o prémio de pintura. Em 1958, aposentado por limite de idade das funções pedagógicas, passou a dedicar-se inteiramente à pintura e ao desenho. Em 1979, foi condecorado com a Comenda da Ordem de Santiago e Espada pelo então Presidente da República Portuguesa, António Ramalho Eanes. Morreu em Lisboa a 9 de Agosto de 1982, tendo sido inaugurado na sua terra natal, Gouveia, em Fevereiro de 1985, o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta.

São de sua autoria os cartões para os vitrais da fachada sul da Igreja do Mosteiro dos Jerónimos (1938).

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